terça-feira, 4 de maio de 2010

A CIDADE: UM NÃO-LUGAR DE MUITOS LUGARES.

Uma cidade é construída muito mais pelas suas diferenças que por suas semelhanças. Trata-se de uma equação que infringe a matemática, vez que nessa ambiência um mais um é sempre mais que dois, em razão da complexidade e pluralidade das relações sociais que sempre mudam conforme o lugar e o tempo. Assim, a cidade representada como unidade é a bem da verdade, uma grande tela com todas as cores possíveis, e ainda mais além, das inimagináveis combinações de cores daí derivadas.

A cidade é um mosaico de muitas urbes, cada uma com sua dinamicidade e complexidade próprias. Desse modo, é um lugar de muitos lugares, ou seja, um não-lugar com uma pluralidade de outros lugares, criado, reinventado e transformado cotidianamente. Por isso mesmo, convém evitar o óbvio, de ter como destino somente os “pontos turísticos”, devemos evitar o burburinho dos carrões e personagens das “colunas sociais”, essas coisas até que possuem alguma importância, no entanto, são apenas a parte mínima do todo. Os clichês na maioria das vezes são a negação da riqueza social e cultural de um território.

Aquele que pretende conhecer razoavelmente uma cidade deve se lançar às aventuras do imponderável: ir às feiras e mercados; perambular pelos cortiços e mocambos; passar pelas igrejas e lugares de culto; entrar nas festas e folguedos populares; andar nos parques e praias, visitar os asilos e casas de internação. A última pitada consiste em ter um bom “dedo de prosa” com: taxistas, ambulantes, artesãos, flanelinhas, barraqueiros, guias de turismo, barbeiros, garçons, picolezeiros, pregoeiros, feirantes, carregadores, carroceiros, jornaleiros, cambistas. Essa nossa boa gente, que para alguns não passa da ralé – para nós outros, é a essência e espírito de um povo.

É legítimo afirmar, que já houve um tempo em que um périplo pelos cabarés, bordéis e gafieiras era roteiro obrigatório de um circuito cultural. Nos dias de hoje, tudo está às claras e o sexo virou indústria. As coisas já não são as mesmas como no tempo dos nossos pais, naquela época não existia AIDS.

A urbe em forma de uma unidade é uma constante metamorfose impulsionada por uma pluralidade de outros lugares. Não existe mais a Ágora, dos cidadãos da antiga Grécia, por outro lado, ainda resistem com vigor, algumas maravilhas inventadas pelo povo, são os lugares do debate público e das discussões políticas acaloradas: os “senadinhos” (da Praça João Lisboa em São Luís-MA); a Boca Maldita” (da Rua XV em Curitiba-PR); as bancas de jornal (Do Chico em Imperatriz); os botecos (do Léo em São Luís, do Seu Olímpio e do Gil em Imperatriz no Maranhão).

As cidades de hoje, precisam ser entendidas para serem vividas com alegria e prazer, e essa arte não é tarefa fácil no mundo das tragédias que hoje nós vivemos.

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