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Dimas Salustiano |
Nos últimos dez anos a educação no Brasil enfrentou uma expansão de vagas sem
precedentes, aumentamos nossa capacidade instalada, reduzimos sensivelmente o
número de crianças fora da escola, a formação de professores experimentou um
elevado crescimento. Tudo isso, com políticas conseqüentes do Governo Federal
para a área e forte investimento do setor privado. A UNISULMA é um exemplo
disso tudo.
O ENEM, inicialmente tão criticado, permitiu a aproximação com a idéia de
universalização de ingresso no ensino superior, além do que os programas de
apoio para ingresso e permanência nas Universidades como o PROUNI e o FIES
estão consolidados e puxaram as classes C, D e E para os bancos das escolas.
O mês de abril deste ano de 2013, nos apresenta uma situação nova, que
aprofunda e coloca a todos envolvidos com a educação um caminho sem volta. Nos
últimos quatro anos a tendência de aquisições, incorporações e fusões em
virtude da abertura de capital em bolsa dos grandes grupos educacionais, mais
do que nunca nos exige pensar nossas organizações como empresa e a educação
como negócio. "O sonho acabou"!
A incorporação de ações em bolsa do Grupo Anhanguera pela Kroton, cria um
conglomerado educacional gigante, com 1 milhão de alunos, sendo que destes 485
mil no ensino superior presencial, 445 mil no ensino superior a distância, 70
mil em cursos livres a distância e 289 mil na educação básica. E nós da UNISULMA
com isso? Não esquecer que a Kroton, comprou a rede Pitágoras no Brasil e por
conseguinte a FAMA em Imperatriz e São Luís. A fusão entre Anhanguera e Kroton
no Brasil, cuja operação precisa ser aprovada pelo CADE (Conselho de Defesa
Econômica), significa um negócio cuja receita bruta alcança 5,8 bilhões e o
valor do negócio pode atingir R$ 13 bilhões. Em virtude de sua capilaridade,
otimização de custos e capacidade de investimento e expansão.
Isso
tudo, exige de nós todos da UNISULMA, constatar que ou nos adaptamos às
mudanças que nos cercam e atingem ou iremos engordar os números de falências e
fechamentos no setor. Temos que ser profissionais e mais ágeis nas decisões,
nossos coordenadores precisam urgentemente ser gestores dos cursos, nosso
modelo é o do mercado e não o do setor público. Não visamos só o lucro, mas sem
lucro não crescemos e não funcionamos. Temos que tratar muitíssimo bem as
pessoas que nos cercam, mas principalmente nossos clientes, isto é, nossos
alunos. Dez alunos que se ganha é ouro, um aluno que se perde é um prejuízo
irreparável.
Se vamos virar uma "quitanda" ou uma rede de
"supermercados" é a situação dilemática que consumirá nossas
preocupações pelos próximos tempos. E é uma questão de responsabilidade, dos
sócios, dirigentes e gerentes. Não nos olvidemos. É uma questão de vida ou
morte!
* Prof. Ms. Dimas Salustiano da Silva - Presidente da UNISULMA.