sexta-feira, 18 de junho de 2010

A MISÉRIA DA POLÍTICA

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."
(Palavras de José Saramago, na apresentação pública do seu “Ensaio sobre a Cegueira”).

Fala-se muito do exército de miseráveis que inunda nosso país, estas figuras esquálidas e maltrapilhas estão cotidianamente agredindo nossas retinas no campo e nas cidades. Invadem as ruas, igrejas, restaurantes, lanchonetes e outros lugares de grande circulação mendigando um pouco de comida. As crianças povoam os semáforos implorando uma moeda, por vezes se contentariam com um gesto de educação, um sorriso, um bom tratamento.

Nesse ambiente os desvalidos estão prontos para exercer seu direito ao voto em troca de uma camisa, uns trocados, um pote, um filtro, o aviamento de uma receita médica ou mesmo pela ilusão de promessas fugidias de uma vida melhor. É um raro momento de êxtase, os miseráveis se vêem repentinamente lembrados e, como que obra de um artifício mágico, se acham de vez disputados por todos.

Uma amnésia aguda acomete aqueles que votam de tempos em tempos e nas próximas eleições já não lembram em quem escolheram para Vereador, Prefeito, Deputado, Senador, Governador ou mesmo Presidente da República. Eis os primeiros culpados, pois é do voto, do exercício responsável na política, de onde podem vir soluções para os problemas da política.

Diz-se pouco, entretanto, da origem disso tudo. No nosso caso a indigência econômica, deriva principalmente da pobreza da política. Os eleitos, que receberam os votos dos que vão esquecer em quem votaram serão também acometidos da amnésia de esquecer as promessas feitas nas campanhas eleitorais. De onde então, pode vir o dever de lembrar os políticos dos seus compromissos assumidos?

A resposta deveria vir primeiramente da sociedade civil organizada, da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, ABI – Associação Brasileira de Imprensa, da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos, e veio. Veio de uma forma singela oferecida pela iniciativa popular de lei prevista na Constituição da República. A Lei da ficha limpa, contra os fichas sujas, políticos sujos que vivem da política. O TSE carimbou a essência do ato normativo.

Poderia vir da imprensa, da mídia, mas parece que estão todos comprometidos ou então tomaram partido na luta política. Esqueceram assim, também o compromisso com a notícia, com a verdade jornalística que exige checar fontes; ouvir os diversos lados envolvidos; e, se não a neutralidade, porque não a opção pela isenção. A Imprensa tem donos.

Abro os jornais, a internet, ligo os rádios e a televisão e não encontro respostas contra a miséria da política. Só entrevejo exageros, linchamentos públicos, achincalhamento de toda ordem, assistimos à sociedade do espetáculo. Cabe por último aos intelectuais, poetas e artistas, sem niilismo, com uma boa dose de humor e outra de seriedade, por compromisso com a nação colocar o dedo na ferida.

Urge que haja resistência! Vamos renovar a política na Política! Não vamos votar nos velhos de corpo ou de espírito. Vamos todos dizer não aos que se reelegem sistematicamente na esquerda e na direita. Vamos dizer não a corrupção, ao fisiologismo, mas também ao personalismo e ao carreirismo. Vamos dizer não ao troca-troca de partidos políticos, que só querem cargos, empregos e dinheiro público. Por que tantos “não”? Porque precisamos fortalecer e dizer sim a DEMOCRACIA.

ENTRE A POESIA E A POLÍTICA

Somos desafiados a optar constantemente. As escolhas mais fundamentais que ditam os rumos de nossa própria existência demandam invariavelmente dúvidas, impasses, incertezas e sérias reflexões. Para quem sobrevive da palavra, quer seja como poeta, político, advogado ou professor, a escolha entre ciência e política ou entre poesia e política, vem quase sempre embalada por uma disputa argumentativa interior que embasará a decisão, e este processo adquire, de tempos em tempos, contornos dramáticos.

A conquista de espaços, o preço da vitória ou da derrota, a busca da felicidade, exigem sacrifícios que nem sempre contentarão a todos. Fernando Pessoa demonstra uma aguda percepção sobre isso, traduzida em poesia fina e aguda, a respeito do preço de grandes atos e gestos das pessoas, conseguindo explicar bem melhor que qualquer homem público ou aqueles que atuam no território das ciências o que está verdadeiramente em jogo:

“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!”

No Maranhão, o já pantanoso terreno da política está a exigir nos dias de hoje entre nós, uma outra forma de olhar, mais crítico é certo, porém mais generoso e com os olhos postos no futuro. A guerra de todos contra todos produz vítimas que ultrapassam as pessoas diretamente envolvidas nos conflitos. Pensando desse modo, enxergo certas irracionalidades nos acontecimentos políticos em curso no nosso Maranhão bom e velho cansado de guerra.

Parece que há uma guerra deflagrada. Fala-se por aí que existem jornalistas, assessores e políticos afirmando que guerra é Guerra! E campanha política é lama. Tudo bem. Mas mesmo as guerras possuem regras. Os prisioneiros têm direitos e os vencidos não podem ser massacrados. Quem vence não tripudia.

A Política tem a tarefa de construir e manter pontes, de produzir canais de interlocução mantendo-os sempre abertos. Os vencidos sempre terão razões a serem consideradas. O diálogo é um caminho difícil, mas deixa os espíritos democráticos mais livres e arejados. Eis-nos assim, diante da vitória da civilidade, do entendimento e da democracia. O poeta lusitano entendeu perfeitamente o êxito dos grandes gestos:

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Um Estado pobre como o nosso Maranhão, com esse nível de pendengas políticas, parece que ainda terá muito mais o que perder. Talvez entre a poesia e a política a salvação não esteja na terra dos homens pequenos, mas no mar, no céu, nas estrelas e no amor, ingredientes que fazem a boa poesia dos mais sensíveis. E assim entre a política fratricida e a poesia, me restou como opção o lado mais digno e generoso dos versos e das rimas.

domingo, 6 de junho de 2010

POLÍTICA, POESIA, PUREZA E JUSTIÇA NA LUTA!


Quando os cenhos estão franzidos e a racionalidade perdida para as paixões irracionais é hora de abrir espaços para outros discursos. Quando tudo vira uma bandeira e ninguém escuta ao outro, talvez seja o instante de ofertar nossos ouvidos aos poetas. Então vamos à poesia...



Do povo buscamos a força



"Não basta que seja pura e justa
a nossa causa.
É necessário que a pureza e a justiça
existam dentro de nós.


Dos que vieram
e conosco se aliaram
muitos traziam sombras no olhar
intenções estranhas.


Para alguns deles a razão da luta
era só ódio: um ódio antigo
centrado e surdo
como uma lança.


Para alguns outros era uma bolsa
bolsa vazia (queriam enchê-la)
queriam enchê-la com coisas sujas
inconfessáveis.


Outros viemos.
Lutar para nós é ver aquilo
que o Povo quer
realizado.


É ter a terra onde nascemos.
É sermos livres pra trabalhar.
É ter pra nós o que criamos
lutar pra nós é um destino -
é uma ponte entre a descrença
e a certeza do mundo novo.
Na mesma barca nos encontramos.
Todos concordam - vamos lutar.


Lutar pra quê?
Pra dar vazão ao ódio antigo?
ou pra ganharmos a liberdade
e ter pra nós o que criamos?


Na mesma barca nos encontramos.
Quem há-de ser o timoneiro?
Ah as tramas que eles teceram!
Ah as lutas que aí travamos!


Mantivemo-nos firmes: no povo
buscáramos a força
e a razão.


Inexoravelmente
como uma onda que ninguém trava
vencemos.
O Povo tomou a direção da barca.


Mas a lição lá está, foi aprendida:
Não basta que seja pura e justa
a nossa causa.
É necessário que a pureza e a justiça
existam dentro de nós."


(AGOSTINHO NETO, poeta, médico, líder do MPLA e primeiro Presidente da República de Angola)

SOBRE OS RISCOS NA VIDA E NA POLÍTICA


3. Clayton Noleto - Presidente Municipal do PCdo B, postado em 22 de maio de 2010


O professor Dimas Salustiano, ao se prender meramente à exposição dos fatos, assume o risco de provocar interpretações dúbias quanto ao seu pocionamento diante à vergonhosa iniciativa de parte do PT em apoiar a candidatura de Roseana Sarney. Seria bom se os posts viessem acompanhados de uma reflexão crítica quanto ao relatado.

Clayton Noleto - Presidente Municipal do PCdo B de Imperatriz


3. Prezado Clayton, dileto amigo:


Preliminarmente quero parabenizá-lo pela candidatura a Deputado Federal, nossos dirigentes estaduais escolheram bem.

Sobre seu comentário, cada uma das respostas acima são suas respostas também.

Mas, antes, só posso dizer que tudo na vida está por um triz e cada ação traduz um risco.

Fique tranqüilo amigo jamais sentarei no colo do PSDB ou de seus governos, não tenho história de trair meus amigos e ideais, por muito tempo ando uma trajetória de honestidade e retidão, já fui convidado para muitos governos e coisas boas, porém preferi os amigos, a poesia e as estrelas.

Por isso lhe ofereço uma poesia em nome de todos meus irmãos e camaradas de Imperatriz:

Este é tempo de partido,


tempo de homens partidos.


Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.


As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.


Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?


Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.


Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.


São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.


("Nosso Tempo" de Carlos Drummond de Andrade)

SOBRE O TEMPO E FIRMEZA IDEOLÓGICA


2. Dalva postado em 23 de maio de 2010

Querido Dimas,

Em virtude do acidente automobilístico que nos reteve na BR, não chegamos a tempo para o Ato Solene de Desinfecção da Estrela do Glorioso PT.

Contudo, superado o susto do sinistro, participamos desde a abertura do Encontro com a presença de mais de 200 pessoas entre filiados, militantes de delegados e convidados (as).

Conforme deliberamos no Encontro de Março, no qual aprovamos a Política de Aliança, realizamos o Encontro de Maio e definimos as candidaturas: de Terezinha Fernandes à Vice-Governadoria, Bira do Pindaré ao Senador da República e os suplentes: Colaço e Franklin e, concomitantemente, nossos candidatos à Câmara Federal e à Assembléia Legislativa.

Portanto, temos a convicção que contribuiremos para o que dizem as companheiras: VAI AVANÇAR... VAI AVANÇAR A UNIDADE POPULAR! Com Dilma Lá e Flávio Cá.

Ah! Poderias ter economizado tempo e espaço ao reproduzires o Ofício da Sorg.

Beijos,

Dalva

2. Dalvinha minha irmã querida:

Lamento pelo acontecido, só vim saber pelo Jorge nosso irmão, dias depois, do acidente e da sua passagem por São Luís. Torço por vocês. Admiro sua militância aguerrida, sua juventude espiritual e sua honestidade política. Eu é que não tenho mais jeito para entregrar panfletos. Perdi a prática.

Sobre o tempo. Acho que os intelectuais e professores como eu sabem usá-lo melhor que um capitalista. Mas, o tempo continua sendo o senhor da razão. Tomara que venham notícias melhores do front político. Ficaremos felizes juntos.

Estou firme no mesmo lugar com honestidade, integridade e trabalho duro. Luto ao meu modo pelo socialismo e sou um esperançoso por um Maranhão justo e livre. Porém, não integro o gabinete, nem o núcleo duro da campanha de Flávio. Também não sou da comissão política do PC do B. O PT saberá escolher os seus destinos para o bem ou para o mal.

Um beijo menina e tenha cuidado nas estradas da vida e da política que parece oferecer caminhos tortuosos!

FALANDO SOBRE TORCER OU INDEPENDÊNCIA POLÍTICA

Eis-nos aqui falando de política e este não era o desejo inicial destas páginas, mas como os comentários vieram vamos a eles:

1.Carlos Alexandre postado em 25 de maio de 2010 as 8:12


Não o conheço, mas pelo que me contaram você é do PCdoB. Mas parece que você torce contra a candidatura do Flávio Dino. Certo?

Vamos às respostas:


Errado!

Prezado Carlos:

Preliminarmente gostaria de conhecê-lo, no meu site (WWW.dimas.pro.br) você terá todos meus contatos, será um prazer trocar idéias.

Tenho todos os motivos para torcer a favor de Flávio Dino, somos amigos de longa data, fomos companheiros de ME na UFMA, somos professores concursados do DEDIR/UFMA e atuamos na área jurídica como advogados, me filiei ao PC do B após mais de 25 anos de filiação ao PT, fiz essa opção muito por causa de Flávio Dino, de quem acredito e espero por honestidade, competência, trabalho e por um Maranhão justo, livre e democrático. Por isso tudo não torço contra.

Contudo, sou amigo e não sou funcionário de Flávio Dino. Sou companheiro de lutas e não puxa saco. Virei camarada do PC do B, mas, jamais escudeiro cego e mudo, ou, capacho. Tenho minhas opiniões próprias. Sei que muitas delas não possuem terreno fértil para vicejar no momento. Por isso, como militante disciplinado, opto pelo silêncio.

Tenho ojeriza a patrulhamentos ideológicos de qualquer espécie e maniqueísmos de qualquer gênero. Prefiro ser um professor que zela pela Liberdade de Cátedra e um intelectual que preza pelo livre pensar.

Por último, não vivo da política e não acredito em político profissional. Como professor, educador, advogado e intelectual vivo pela dignidade da política.

REFLEXÕES, AUSÊNCIAS E A PAUTA POLÍTICA

Fiquei um bom período sem escrever, estive pensando e pensar não é tarefa fácil. Tem muita gente que age sem pensar. Na maioria das vezes, agir sem pensar é um desastre.


Nestes últimos dias, me dei ao trabalho de refletir sobre certas coisas da vida, dentre elas a política, amizades, lealdades e as opções que cotidianamente temos que fazer, algumas delas, sem ao menos sabermos, serão determinantes para o restante de nossas vidas.

Por isso deixei alguns comentários nos blog’s sem resposta, mantenho um no blogspot e outro no imirante. Juntei os comentários e respostas nos dois espaços em atenção aos demais leitores, são poucos mais sinceros. A gentileza e educação me orientam inclusive a dar um destaque maior a estes diletos leitores.

Antes, devo reiterar algumas posições sobre minhas idéias aqui expressas:

1) Quem escreve deseja ser lido. Mas, ao ser lido se despede daquilo que escreveu. Uma pluralidade de outros autores sempre estará à espreita.


O Ledor que mastiga, devora e trai o texto produzido para ser lido, por tantos outros, reinventa o que leu por sua própria interpretação.


Quem não escreve jamais se arrisca na aventura de registrar o que sonha e pensa. Sempre vai imaginar no outro um pecador, e em si mesmo, um ser a salvo das críticas.


Por essa razão, que de conversa em conversa, de erro em erro, vou arrumando uma palavra atrás da outra. Na condição de passageiro da liberdade e da imaginação no ato de escrever


2) É bom deixar claro que o meu post, não expressa o meu desejo, nem tampouco o meu querer.


Mas, alerta para uma situação real, para a qual temos que nos preparar.


É o fim de uma época idílica, que na verdade já se encerrou já faz muito tempo. Disso tudo, surgirá um PT no Maranhão assemelhado ao PT Nacional com negociações pragmáticas e desejoso de poder.


Atentemos para esse cenário.


Eis-nos aqui falando de política e este não era o desejo inicial destas páginas, mas como os comentários vieram vamos a eles: